 |
PROJETO DE PESQUISA EM ANDAMENTO
ATITUDES E EXPECTATIVAS DE JOVENS SOLTEIROS FRENTE À FAMÍLIA E AO CASAMENTO: DUAS DÉCADAS DE ESTUDOS
Bernardo Jablonski
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
INTRODUÇÃO
Dando continuidade a projetos de pesquisa no âmbito da família e do casamento urbanos realizados ao longo dos últimos anos, pretendemos com o presente trabalho prosseguir no estudo das percepções e atitudes que as pessoas têm com relação à constituição (e manutenção) da família e do casamento, hoje. Desta vez, voltaremos a nos debruçar especificamente sobre o contingente de jovens solteiros de classe média e tentar detectar a evolução de expectativas e de visões do mundo ligadas a uma série de tópicos referentes à vida familiar e de casal. Trata-se, na verdade, de uma continuidade, na medida em que, especificamente, o contingente de jovens solteiros tem sido objeto de estudos em pesquisas anteriores, realizadas por nós em 1988, 1993 e 2003.
Assim, estaremos igualmente efetivando um trabalho de "pesquisa contínua", utilizando basicamente o mesmo questionário - com pequenas modificações visando sua atualização - na tentativa de tentar captar como os jovens percebem as transformações em curso no âmbito da família e do casamento. Hoje, novas formas de conjugalidade convivem com arranjos mais tradicionais, no que diz respeito a inúmeros fatores, tais como os papéis de gênero, a sexualidade, a influência da religião, o adiamento das uniões (casamentos tardios), a diminuição no número de filhos, a opção pela coabitação e a importância dada ao amor como fator de manutenção dos vínculos afetivos, bem como o crescente aumento do índice de divórcios e de separações entre nós (Henriques, Féres-Carneiro e Jablonski, 2004; Machado, 2001; Wagner, 2003 e Zordan, Wagner e Falcke, no prelo). Interessa-nos saber em que medida (e como) os jovens se posicionam diante de possíveis conflitos provocados por estas visões, muitas vezes antagônicas entre si. Acreditamos que esta continuidade nos permitirá obter uma visão mais acurada do que está mudando (ou não) na percepção social do casamento, do ponto de vista de jovens solteiros de classe média.
Parece-nos particularmente interessante saber como estes jovens se posicionam e o que esperam de seus futuros casamentos, comprimidos que estão entre uma visão passada pela união de seus pais e de seus avós e a realidade atual, que fala do aumento em níveis significativos da taxa de divórcios, da nova divisão de papéis intergêneros, decorrente da ação do movimento de emancipação feminina e, é claro, da própria concepção ideal de casamento. Para Giddens (2001), durante as últimas décadas as sociedades ocidentais vêm passando por mudanças inimagináveis para as gerações anteriores, que se refletem inclusive na grande diversidade de formas de família e de núcleos domésticos ora existentes. Para este autor, embora as instituições do casamento e da família ainda sejam importantes em nossas vidas, ambas vêm passando por transformações significativas. Além de Giddens, alguns autores contemporâneos, como Bauman (2003), também salientam a transitoriedade dos tempos atuais e a efemeridade do amor contemporâneo, chegando mesmo a denominá-lo de “amor líquido”: o processo de fixação de uma relação se liquefaria antes mesmo de completado, deixando sempre abertas alternativas mais completas de satisfação afetiva - um reflexo da era da “modernidade líquida”, caracterizada pela fluidez e pela imprevisibilidade, que fazem com que as relações afetivas pequem pela descartabilidade e, paradoxalmente, pelo desejo de intensidade e de permanência, em paralelo a um agudo sentimento de insegurança. E Manning e cols. (2007) ressaltam a importância de se pesquisar com jovens, na medida em que suas expectativas podem prenunciar tendências futuras e apontar pistas sobre normas emergentes de formação de uniões.
O fato é que a atual família nuclear urbana e a instituição do casamento estão passando por momentos singulares: de crise, para alguns (Jablonski, 1988), de turbulência para outros (Biasoli-Alves, 2000), ou de mudanças que, por sua própria natureza, sempre trazem dificuldades adaptativas em um primeiro momento (Coontz, 1997).
Os dados estatísticos assinalam que aproximadamente 50% das uniões, nos dias de hoje, tendem à ruptura em alguns anos (Coontz, 2005; Epstein, 2002). Embora estes números refiram-se especialmente à cultura norte-americana, pesquisas realizadas nos grandes centros urbanos ocidentais indicam a mesma tendência, variando apenas a magnitude da taxa em questão (Jablonski, 1998). No Brasil, tomados os dados relativos aos anos 90, o número de divórcios triplicou (IBGE, Censo Demográfico de 2000). Já na última sondagem realizada pelo IBGE, em 2005, teria se dado um recorde no número de divórcios. Além disso, evidências anedóticas relativas às populações de classes carentes, residentes nas cidades grandes ou em suas periferias, mostram a abrangência do fenômeno em questão (Jablonski, 1998). E ainda segundo o IBGE, o número de casais morando juntos – informalmente - passou de 6,5% para 28,5% dos casais, quando comparados dados dos anos 60 com os registrados em 2000 (IBGE, Censo Demográfico de 2000).
Esses números revelam, a nosso ver, mudanças significativas no âmbito da família e do casamento. Duas das mais antigas instituições sociais da humanidade, que já enfrentaram ao longo dos tempos toda sorte de desafios, parecem estar vivendo uma época delicada, que merece, no mínimo, cuidados - e estudos – especiais. De certa forma, a própria definição de família está em questão, já que o modelo familiar no qual o pai sai para trabalhar e a mulher fica em casa, dedicada ao lar e aos filhos, parece estar, como vimos acima, deixando de ser hegemônico. Na verdade, este modelo do pai provedor/mãe dona de casa, dividido em rígidas esferas e visto como “tradicional”, foi, historicamente, apenas uma primeira versão do que chamamos de família moderna (Skolnick, 2006).
Assim, em todos os grandes centros urbanos ocidentais encontram-se em maior ou menor número famílias (a) nas quais pai e mãe trabalham fora, (b) compostas por pais e/ou mães em seus segundos casamentos, (c) de mães solteiras que assumiram – por opção ou não – a maternidade e passaram à condição de “famílias uniparentais”, (d) casais sem filhos – por opção ou não -, (e) casais que moram juntos sem “oficializar” suas uniões e (f) casais homossexuais. Todas as formas alternativas se contrapõem ao modelo tradicional, e vão redefinindo na prática o conceito de família ou as expectativas quanto ao casamento tradicional. Novamente, segundo o IBGE (2000), 47% dos domicílios estão organizados em torno de formas nas quais, no mínimo, um dos pais está ausente.
Doherty (1992), por exemplo, aponta que, em uma perspectiva histórica, enquanto na Idade Média, por exemplo, 5 ou mais gerações podiam viver sem assistir a mudanças de peso em seu modus vivendi, desde o século XX, pudemos conviver com três tipos de família. Em primeiro lugar, a família tradicional, sinônimo de produção econômica conjunta, autoridade paterna, casamento com ênfase em seus aspectos funcionais e conexões com a comunidade e com os (muitos) parentes. Em seguida, a família moderna (também chamada de psicológica), altamente influenciada pelo crescente e dominante espírito individualista, caracterizando-se pela sua mobilidade, por ser mais nuclear, não tão permanente, menos ligada à comunidade, mais igualitária, centrada nos sentimentos e na afeição. Finalmente, no final do século XX, presenciamos o nascimento de uma nova "espécie": a família pluralística (ou pós-moderna), que teria como principal característica a aceitação e a convivência de várias formas de arranjos não tradicionais. Estas são compostas por vezes apenas pelas mães e seus filhos ou por pais/mães em segundas uniões, com filhos e filhas resultantes do primeiro casamento, e são ainda menos permanentes, mais flexíveis e mais igualitárias que as anteriores. (Goldenberg, 2000; Vaitsman, 1994). Outros autores procedem a classificações similares, como Singly (2003). Para este sociólogo francês, caberia ainda no século XX a distinção entre dois tipos de famílias modernas. A do primeiro tipo, que iria do início do século até os anos 60, teria enfatizado a importância do afeto como eixo centralizador. E a família moderna 2 se distinguiria da precedente pelo peso maior conferido aos processos de individualização, reflexo da maior independência feminina e aumento do número de divórcios, entre outros fatores.
A causa destas transformações ancora-se, a nosso ver, nas profundas mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas e que vêm modificando a cena protagonizada pelo casamento, pela família e pelos valores que lhes são agregados. A emancipação feminina, por exemplo, vem alterando, desde a segunda metade do século XX, as relações de gênero, em função da entrada maciça da mulher no mercado de trabalho e de suas conseqüências – casamentos mais tardios, diminuição no número de filhos, aumento no conflito gerado pela busca da igualdade de direitos e a necessidade do homem também mudar sua forma de participação dentro de casa (Coontz, 2005; Féres-Carneiro, 1995, 2001; Goldenberg, 2000, Jablonski, 1998, 1999; Preuss, 1999; Thornton, 1989 e Thistle, 2006).
O fato é que o ingresso substancial das mulheres no mercado de trabalho provocou uma profunda alteração nos papéis tradicionalmente desempenhados no casamento. O homem provedor e a mulher encarregada da organização da casa e da educação dos filhos deram lugar a dois trabalhadores remunerados, mesmo que, eventualmente, as atividades profissionais sejam realizadas dentro do lar. Parecem cada vez menos freqüentes os arranjos matrimoniais em que apenas um dos parceiros encarrega-se sozinho do sustento da família. As mulheres voltam-se, mais e mais, para o trabalho fora de casa, não só porque ele possibilita atingir um padrão de vida melhor para a família, como pelo fato de o sucesso profissional ser encarado como uma forma de realização pessoal e social (Goldenberg, 2000; Rocha-Coutinho, 2003). Em conseqüência, o número de horas despendido na tarefas realizadas em casa diminuiu sensivelmente nos Estados Unidos, Canadá e na Europa (Jacobs e Gerson, 1998). Soma-se a isso uma escalada perceptível da quantidade de horas dedicadas ao trabalho fora de casa por pessoas na faixa etária compreendida entre 25 e 45 anos, normalmente, pais com filhos pequenos (Daly, 2001).
No Brasil, babás e empregadas domésticas “fazem uma diferença”, no sentido de suprir em parte a ausência das mães que se dedicam substancialmente ao trabalho fora de casa, ainda que haja dúvidas acerca do número real de lares que incluem a presença de empregadas domésticas. Para Araújo e Scalon (2005), por exemplo, apenas 7,5% dos domicílios brasileiros contariam com a presença de uma empregada doméstica, morando ou não na residência, e para o IBGE (2000), um pouco mais, em torno dos 11%. Sendo estes dados reais ou não, é preciso, sem dúvida, contextualizar os resultados das pesquisas e estudos feitos nas culturas onde não há este tipo de mão-de-obra disponível, ao contrário do Brasil e de outros países da América Latina.
Araújo e Scalon (2005), por exemplo, constataram que a divisão sexual do trabalho doméstico entre nós continua sendo majoritariamente uma atribuição feminina. Para estas autoras, o ingresso das mulheres no mercado de trabalho não implicou em uma divisão mais igualitária das tarefas no lar, ainda que haja indícios de uma maior participação masculina no cuidado com os filhos (mas não nas tarefas domésticas). Rocha-Coutinho (2003, 2004, 2005 e 2007) aponta igualmente que – a par de um discurso social igualitário – tanto homens como mulheres cariocas parecem endossar o ponto de vista de que a casa e os filhos são ainda responsabilidade maior da mulher, cabendo ao homem a responsabilidade pelo provimento financeiro. Artis e Pavalko (2003) lembram que ao maior ingresso de mulheres na força de trabalho deveria corresponder uma queda nas atividades dentro do lar, somada a uma divisão de trabalhos intra-lar mais equilibrada entre homens e mulheres. Apesar disso, as mudanças neste sentido têm se mostrado muito pequenas e insatisfatórias, do ponto de vista feminino, em que pese à observação de que entre gerações mais jovens estaria havendo uma divisão mais equilibrada de afazeres e responsabilidades domésticas, a reboque de concepções de vida ideologicamente alinhadas com uma visão de papéis de gênero mais igualitária.
Coltrane (2000) concluiu, a partir de suas pesquisas, que apesar das contribuições masculinas nos afazeres dentro do lar estarem aumentando, as mulheres ainda trabalham pelo menos duas vezes mais que os homens cumprindo as tarefas rotineiras do lar: cuidar das crianças, lavar e passar roupas, fazer compras no supermercado, limpar a casa, etc. Para este autor, as conseqüências dessa injusta divisão estão, freqüentemente, em sentimentos de injustiça, sintomas de depressão e de insatisfação com o casamento, por parte das mulheres. Da mesma forma, uma maior participação masculina nestas tarefas seria um excelente preditor de satisfação marital. A percepção de que estaria havendo uma injusta distribuição de tarefas levaria, pois, a um sensível aumento de conflitos e à diminuição da satisfação marital (Blair, 1988; Greenstein, 1996; Kluver, Heesink e Van de Vliert, 1996; Lavee e Katz, 2002).
Em nossos estudos, notamos igualmente (Brasileiro, Jablonski e Féres-Carneiro, 2002; Jablonski, 1988, 1996, 2001, 2003 e 2007), no que diz respeito às atitudes, um crescente interesse dos homens em participar, cada vez mais, da educação e dos cuidados com os filhos. Porém, ao passarmos para o campo dos comportamentos, ou seja, da ação propriamente dita, a divisão de tarefas torna-se utópica, como se houvesse uma promessa de mudança que não é cumprida, circunstância capaz de gerar frustração nas mulheres.
Entre os motivos para a manutenção deste status quo estariam a maior disponibilidade de tempo por parte das mulheres – mesmo com muitas mulheres também trabalhando fora de casa -, a questão dos recursos relativos, pelos quais a alocação de trabalhos domésticos refletiria as (desiguais) relações de poder entre homens e mulheres, e finalmente, a questão de gênero, fortemente embasada por um viés ideológico que atribui à mulher boa (má..) parte dos serviços domésticos como um todo (Bianchi, Milkie, Sayer e Robinson, 2000). No Brasil, segundo pesquisa do IBGE em 2005, 92% das mulheres ativas no mercado de trabalho disseram cuidar também das tarefas domésticas e entre 1995 e 2005, a participação masculina teria subido apenas dois pontos percentuais.
Como os jovens solteiros pretendem equacionar estas demandas contraditórias é um dos focos da presente pesquisa, que procura detectar em que medida a alteração de papéis resultante da emancipação da mulher se reflete nas expectativas de jovens solteiros de ambos os sexos na futura organização interna dos lares. Fundamental, também, a comparação entre atitudes e expectativas femininas e masculinas, com todas as implicações advindas das possivelmente diferentes percepções e avaliações do processo em questão.
Além da emancipação feminina e de seus reflexos, da mesma forma, a religião, outrora fator inquestionável de manutenção do vínculo matrimonial, à medida que passou a ser interpretada pelas pessoas de forma mais individualizada/privatizada, vem perdendo seu peso como instituição norteadora de costumes. O fator “cola” que a religião exercia sobre a vida familiar parece ter se esvaecido, tornando um dos “freios” mais importantes no caminho para o divórcio inoperante, principalmente para os jovens – algo que também procuraremos confirmar com nossa pesquisa. Adolescentes menos religiosos, por exemplo, têm se mostrado menos propensos a se casar e menos tradicionais em suas escolhas afetivo-normativas (Cunningham & Thorton, 2004 e Crissey, 2005).
Ainda na análise do background social, não se pode deixar de mencionar a urbanização e as demandas do que entendemos por uma sociedade pós-moderna, que também desempenham papéis que merecem ser avaliados. O prolongamento da adolescência (face à necessidade de mais estudos para a integração na cadeia produtiva e de, conseqüentemente, os jovens permanecerem dependentes economicamente por mais tempo), a ênfase no individualismo, a concretização do casamento em idades mais elevadas – que implica na diminuição do número de filhos – e a percepção do casamento como uma instituição em transformação são fatores que, ao interagirem, devem provocar significativas alterações nas percepções e nos valores que dizem respeito ao casamento e à vida familiar (Manning e cols., 2007; Thornton e Young-DeMarco, 2001).
Acrescente-se a esse caldeirão de forças a valorização de certos ideais (amplamente difundidos pela mass media e pelas artes) que primam pela exacerbação do “amor-paixão” como a base e o motivo maior para a criação e manutenção de todos os casamentos/uniões. Este tipo de sentimento é “vendido” como uma espécie de panacéia inquestionável, inexplicavelmente mágica e maravilhosa. Tal concepção acaba tendo um efeito danoso, à medida que leva as pessoas a deixarem de lado quaisquer esforços para manter uma relação e passando a engrossar a legião dos que acreditam que o “amor, razão única e maior de todas as uniões, acontece ou não”. O que os adolescentes (e os jovens adultos) parecem aprender através de maciça doutrinação é que um dia encontrarão um príncipe encantado (ou uma princesa encantadora), com todas as qualidades possíveis e imagináveis, e que lhes trará felicidade ímpar para o resto de suas vidas. No entanto, a máxima de que “só o amor constrói” pode mascarar o fato de que sem a devida manutenção, pontes, edifícios e prédios viram ruínas em um espaço de tempo surpreendentemente curto. A ausência de referências às dificuldades do dia-a-dia, da importância do companheirismo, da comunhão de idéias, do respeito mútuo e da necessidade de se discutir e trabalhar as relações afetivas com certa constância, pode estar ajudando a explicar os enormes índices de divórcio nos grandes centros urbanos - que giram hoje em dia em torno dos 40% das uniões (Phillips, 1991, Coontz, 1992; Associated Press, 1999; Clark, 1995, U. S. Bureau of the Census, 1998; Jablonski, 1998, Wood, 1998). Faz-se mister entender até que ponto e em que grau estas idéias estão realmente difundidas entre nós.
Como estes dados influem no sentimento de permanência ou de comprometimento para aqueles que ainda não se casaram nos parece igualmente de suma importância para o entendimento do futuro do casamento. Aqui é preciso levar em conta as contribuições de R. Levine e de seu conceito de ilusão de invulnerabilidade (2003), referido à tendência que as pessoas têm de encarar ameaças da vida como se fossem imunes a elas. Neste sentido, coisas ruins só aconteceriam aos outros. Assim, estudos citados pelo autor têm evidenciado que as pessoas, de modo geral, se sentem menos propensas que os outros a ficarem doentes, terem uma gravidez indesejada, e – o que nos interessa aqui – se divorciarem. Quando perguntados acerca da probabilidade de seus casamentos terminarem em separação, ZERO por cento dos sujeitos das pesquisas citadas acharam que isto poderia se dar com eles. No entanto, estes mesmos entrevistados mostraram-se conscientes das altas taxas de divórcio existentes sem seu país. Da mesma forma, 40% dos pais em um processo de separação consideravam que iriam ter a custódia de seus filhos, mesmo sendo igualmente conscientes que em sua quase totalidade, são as mães que detêm a guarda das crianças.
Embora a ilusão de invulnerabilidade possa ser útil ao proporcionar conforto psicológico, um otimismo exagerado, no entanto, pode servir a objetivos contrários e acabar por criar um estado de “desarme psicológico” diante de perigos que poderiam, de outra forma, serem evitados. Assim, fumantes que minimizem os riscos do fumo podem custar mais a abandonar o fumo e sofrer as suas conseqüências, mulheres sexualmente ativas podem ficar menos propensas a lançar mãos de anticoncepcionais eficazes, membros de um casal não mais se esforçariam para manter viva uma relação e assim por diante. A ilusão da invulnerabilidade, como toda ilusão, pode ter aspectos negativos ou positivos, dependendo do grau e do contexto em que é utilizada (Levine, 2003). Na mesma direção, as teorias da atribuição de causalidade – do qual o item anterior seria parte integrante – também servirão como hipóteses adicionais para comprovação (ou não) de vieses diferenciais entre atores e observadores e para os casos de sucesso ou de fracasso, quando aplicadas ao matrimônio (Jones e Nisbett, 1972; Weiner, 1995). É o que veremos adiante, no quesito relacionado ao embasamento teórico.
Em suma, todos estes fatores, tomados em conjunto, justificam a nosso ver uma nova investigação, no sentido de tentar vislumbrar como tantas variáveis e tantas transformações vêm sendo percebidas, avaliadas e assimiladas pelos “que ainda vão se casar”. Qual o impacto da absorção de tais valores nas futuras uniões? O que – entre as inúmeras mudanças no panorama social - é descartado e o que é assimilado pelos jovens?
Nos trabalhos realizados anteriormente, pudemos observar junto a nossas amostras mais jovens algumas atitudes e percepções dignas de nota (Jablonski, 1998, 2003). Assim, por exemplo, apesar da “crise”, a maioria dos sujeitos esperava vir a se casar; e alguns quesitos ligados à emancipação feminina eram avaliados distintamente por homens e mulheres. Encontramos ainda uma idealização do “amor romântico” como salvaguarda e “cura de todos os males” e uma ambivalência com relação à monogamia (atitudes favoráveis, comportamentos nem tanto). Os jovens também manifestaram críticas à união de seus pais, girando em torno da excessiva submissão da mãe, da rotina dominando a relação, da falta de diálogo entre os pais e da existência de doses substanciais de conflitos.
Além disso, igualmente nas pesquisas anteriores, pudemos perceber que apesar das críticas a aspectos relativos à união de seus pais, os jovens de nossas amostras anteriores parecem acreditar que o casamento, como instituição, está melhorando.
Com relação à sexualidade, estamos particularmente curiosos em sondar a questão da virgindade, já que, contrariamente a tudo que é divulgado pela mídia e à crença generalizada entre vários setores da sociedade, segundo a qual nossa juventude seria bastante liberal, o que pudemos observar foi que um significativo contingente de moças universitárias permanecia virgem, dependendo da idade, do local de moradia e de estudo. Será que esta tendência permanece?
A grande quantidade de referências ao amor, obtida nas três pesquisas já realizadas, pode estar indicando um processo de idealização por parte dos jovens na formação e na manutenção de um casamento. Será que este mesmo idealismo juvenil se aplica às complexas negociações que envolvem hoje a divisão de tarefas no lar? É possível que, de modo similar, os jovens tenham uma visão particular e ainda idealizada dessa questão, ou por outro lado, que sequer tenham se debruçado sobre o assunto com atenção suficiente.
Enfim, parece-nos bastante necessária a investigação contínua das expectativas e percepções de jovens acerca da instituição do casamento, na medida em que isto poderá fornecer subsídios valiosos para uma superação menos atribulada deste momento de transição pelo qual passam a família e o casamento contemporâneos. Afinal, é o descompasso entre o ajuste de valores e atitudes a novas realidades sociais que tende a provocar a maior parte dos conflitos percebidos. Neste sentido, cada geração se depara com um cenário modificado, no qual velhas e novas concepções de vida e de regras de conduta interagem, proporcionando desafios e requerendo mudanças de postura adaptativas, seja por rejeição, aceitação, rebeldia seletiva, acomodação ou simplesmente com sentimentos de ambivalência.
Face às imensas repercussões provocadas pelo aumento do número de divórcios e separações, parece-nos necessária a investigação contínua das expectativas e percepções dos jovens acerca da instituição do casamento, procurando coletar subsídios para a busca de soluções que amenizem as conseqüências advindas da situação de crise por que passa o casamento contemporâneo. Acreditamos que através do aprofundamento dos estudos na área, poderemos apontar outras possibilidades e caminhos enriquecedores, neste sentido.
EMBASAMENTO TEÓRICO
"A carência de paradigmas teóricos sólidos, agravada pela consagração de certos quadros conceituais impressionistas e distorcidos, opõe obstáculos à utilização de uma metodologia convenientemente adequada ao objeto de estudo (casamento e família)" Alzira Campos (Casamento e Família em São Paulo Colonial, 2003)
A epígrafe acima retrata com precisão, a nosso ver, o momento presente vivido pelas pesquisas na área. Dada a impossibilidade de se falar em teorias gerais, o que temos é um mosaico composto por contribuições diversificadas que, em algum momento, esperamos permitir que se obtenha uma formulação mais abstrata e abrangente. Por enquanto, o progresso na área se dá pelo acúmulo de dados, insights e reflexões obtidos pelos cientistas sociais a partir das pesquisas realizadas em suas áreas de competência.
Neste sentido, quanto ao embasamento teórico, adotamos uma perspectiva interdisciplinar, englobando contribuições da sociologia, antropologia, demografia, história social, e, é claro, psicologia social. O termo "ciências sociais" adequa-se com perfeição ao amálgama de estudos encetados com vistas ao entendimento conceitual do casamento, da família e de temas correlatos (Burr e cols, 1979). O fato é que somos todos, em cada sociedade, parcialmente o produto do tempo e da cultura em que vivemos. Como salienta Sherif-Trask (2007), somos influenciados por nossas famílias, religião, mídia, contatos sociais e também por outros fatores, como a tecnologia e o fenômeno da globalização. E nossa própria avaliação das coisas pode se modificar em função de nossas experiências pessoais e de alterações no cenário social. Tudo isso pede um olhar comprometido ao máximo com a multidisciplinaridade.
Dentro da psicologia social, as contribuições teóricas relativas às teorias atribucionais e aos processos de cognição e de percepção social (Deux e Major, 1987; Jones e Nisbett, 1972; Weiner, 1995; Levine, 2003; Rodrigues, Assmar e Jablonski, 2000), servirão - paralela e significativamente - de moldura para o enquadramento das respostas prestadas pelos respondentes, no que diz respeito às percepções dos principais fatores envolvidos no processo de construção (ou ruptura) das uniões afetivas. Mais especificamente, daremos maior atenção, como citado na introdução do presente projeto, às teorias de atribuição que, desde os anos 60, têm captado a atenção de um grande número de psicólogos sociais. Interesse que vem se traduzindo numa grande quantidade de trabalhos de pesquisa e no crescimento e na diversificação dos tópicos abrangidos por essa teoria (Jablonski, 1998). Assim, a importância de variáveis disposicionais ou externas na origem de comportamentos, o princípio do desconto e a hipótese das perspectivas divergentes, contribuições significativas de diversos autores, nos ajudarão a entender alguns dos resultados, com destaque para a hipótese sobre perspectivas divergentes, de Jones e Nisbett. Para estes autores, observadores e atores de uma ação tendem a atribuir à mesma causas distintas. Os observadores, por exemplo, costumam atribuir fracassos de outrem a características pessoais desse outrem, e atribuir seus próprios insucessos – já como atores, e não mais observadores – a contingências externas.
As razões para tal distorção perceptiva podem estar sediadas em inúmeras causas: desde o simples fato de que os atores dispõem de informações e dados que não estão acessíveis de todo ou em grau satisfatório aos observadores, até diferenças de natureza motivacional. Mesmo não havendo um consenso sobre o papel dessas e de outras vaiáveis na explicação do processo em questão, inúmeros estudos vêm comprovando a existência de perspectivas divergentes entre atores e observadores quando se trata de atribuições causais (Rodrigues, Assmar e Jablonski, 2000). No presente caso, nosso estudo virá engrossar esta lista, na medida em que nos propomos a avaliar diferenças de perspectivas entre jovens solteiros - no que diz respeito aos seus futuros enlaces, comparando-os aos de seus pais e de outrens. Os estudos feministas também serão levados em conta, no que diz respeito, às questões relativas aos papéis de gênero, relações de poder e manutenção de estereótipos e de suas conseqüências, mormente na questão da chamada "tradicionalização" (Brasileiro, Jablonski e Féres-Carneiro, 2002; Nelson, 2006; Osmond e Thorne, 1993).
Uma análise das principais obras publicadas - seja em periódicos, seja em livros - acerca do tema em questão serve de atestado (e de modelo) para o tipo de trabalho que pretendemos seguir, lançando mão das diversas e mais relevantes contribuições dos pesquisadores que vêm se dedicando, ainda que de modo fragmentado, ao estudo deste tema. Se ainda é cedo para uma teoria unificada que ouse compreender os tópicos em questão, por outro, não podemos deixar de conduzir estudos que contribuam com dados e revelações para que, futuramente, um arcabouço teórico mais firme e consistente possa ser deslanchado de modo mais satisfatório.
Em suma, o presente trabalho reflete uma tendência nas ciências sociais, qual seja a de considerar explicitamente a influência de um contexto social mais amplo nas atitudes e comportamentos dos indivíduos, fazendo uso para tanto de modelos múltiplos (Teachman e Crowder, 2002) e de miniteorias, extraídas de campos similares do saber.
METODOLOGIA
Sujeitos
Uma pesquisa de levantamento será realizada com jovens solteiros pertencentes às camadas médias da população universitária carioca. A amostra, intencional não-probabilística (de conveniência), será constituída por aproximadamente 300 sujeitos, de ambos os sexos, com faixa etária entre 18 e 25 anos. Nossa amostra pode ser caracterizada como oportunista ou de conveniência, não pretendendo ser representativa da população carioca. Segundo Chein (1987), tal tipo de amostra, também denominada intencional não-probabilística, presta-se “não para estimar algum valor da população, mas para conseguir idéias acerca da variedade de elementos disponíveis nesta população”. Para Brehm e Kassin (1990), neste tipo de pesquisa, há ainda o pressuposto de que o que está sendo investigado é um processo psicológico suficientemente “universal” e uniforme, a ponto de fazer com que diferenças individuais dentro da amostra não se mostrem significativas. Lembramos ainda que a maioria das pesquisas em psicologia social se vale deste tipo de amostra que, guardadas as devidas proporções, se presta perfeitamente a estudos como o nosso. Se de um lado, a fraqueza maior reside na impossibilidade de generalização de dados obtidos, de outro, o somatório de pesquisas similares fornecendo resultados semelhantes pode servir igualmente como pesquisa comprobatória, sendo que no caso específico, será a quarta realizada nos mesmos moldes, o que permitirá adicionalmente acompanhar de modo mais objetivo e minucioso o desenvolvimento de possíveis alterações no modo de encarar o casamento por parte de jovens solteiros.
Instrumentos e Procedimento
Nesta pesquisa de levantamento (survey), estaremos utilizando questionário especialmente construído para este fim, montado a partir de instrumentos semelhantes utilizados anteriormente, com aproximadamente 30 perguntas fechadas e abertas, posteriormente codificadas e categorizadas Quanto ao procedimento, solicitaremos, como das vezes anteriores que alunos, em sala de aula, respondam aos questionários – após prévia consulta ao professor – preenchendo-os ali mesmo. A coleta se dará em faculdades públicas e particulares, da Zona Sul e da Zona Norte, em horários diurnos e noturnos, em cursos variados. Teremos o cuidado de preservar o sigilo da identidade de cada sujeito, por um questão ética, além de deixá-lo à vontade no momento de entrega do questionário, já que junto a este entregaremos um envelope individual para que o mesmo seja depositado com segurança e privacidade. Evitaremos também que haja qualquer tipo de influência de terceiros no momento do preenchimento, para que outras variáveis NÃO interfiram de algum modo no resultado final. Não será estipulado um tempo certo para o preenchimento, deixando os sujeitos refletirem o quanto quiserem sobre as questões propostas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, C. e SCALON, C.. (2005). Gênero, trabalho no Brasil. Rio de Janeiro: FGV
ARRUDA CAMPOS, A . L. (2003). Casamento e família em São Paulo Colonial. Paz e
Terra: São Paulo.
ARTIS, J. &. PAVALKO, E. K. (2003). Explaining the decline in women’s household
labor: Individual change and cohort differences. Journal of Marriage and the Family, 65, 746-761.
ASSOCIATES PRESS (1999). Survey: Only a quarter of U.S, households
have traditional families, University of Chicago Center Research, November, 24.
BAUMAN, Z. (2003). Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
BIANCHI, S. M., MILKIE, M.A., SAYER, L.C. & ROBINSON, J.P. (2000). Is anyone
doing the housework? Trends in the gender division of household labor. Social
Forces, 79, 191-228.
BIASOLI- ALVES, Z. M. M. (2000). Continuidades e rupturas no papel da mulher
brasileira no século XX. Psicologia: Teoria e Pesquisa, vol. 16, 3, 232-239.
BLAIR, S. L. (1988). Work roles, domestic roles, and marital quality: perceptions of
fairness among dual-earner couples. Social Justice Research, 11, 313-336.
BRASILEIRO, R.F., JABLONSKI, B. e FÉRES-CARNEIRO, T. (2002). Papéis de Gênero
e a transição para a parentalidade. Revista PSICO, 33, 2, 289-310.
BREHM, S. S. e KASSIN, S. M. (1990). Social Psychology. Boston: Houghton Mifflin Co.
BURR, W.R., HILL, R., NYE, F.I. e REISS, I.L. (1979). Cotemporary theories about the
family. N.Y.: Free Press
CHEIN, I. (1987). Uma introdução à amostragem. Em L. H. Kidder (org.), Métodos de
Pesquisa nas Relações Sociais, São Paulo: EPU.
CLARK, S. C., (1995). Advance report on final divorce statistics, 1989 and
1990. Monthly Vital Statistics Report, vol. 43, 9, Supplement National
Center for Health Statistics.
COLTRANE, S. (2000). Research on household labor: Modeling and measuring the social
embeddedness of routine family work. Journal of Marriage and the Family, 62, 1208-1233.
COONTZ, S. (1992). The Way We Never Were. Basic Books.
COONTZ, S. (1997). The Way We Really Are. Basic Books.
COONTZ, S. (2005). Marriage, a History. N.Y.: Viking.
CRISSEY, S. R. (2005). Race/ethnic differences in the marital expectations of adolescents:
The role of romantic relationships. Journal of Marriage and the Family, 67, 697-709.
CUNNINGHAM, M. & THORTON, A. (2005). The influence of union transitions on
white adults’ attitudes toward cohabitatiom. Journal of Marriage and the Familiy, 67, 710-720.
DALY, K. J. (2003). Desconstructing Family Time: From ideology to Lived Experience.
Journal of Marriage and the Family, 63, may, 283-294.
DEAUX, K. e MAJOR, B. (2002). Putting gender into context: an interactive model of
gender-related behavior. Psychological Review, 94, 369-389.
DOHERTY, W. J. (1992). Private lives, public values. Psychology Today, may/june, 32-37.
EPSTEIN, R. (2002). My words, Psychology Today, feb., 2, p. 5.
FÉRES-CARNEIRO, T. (1995). Casais em terapia: um estudo sobre a
manutenção e a ruptura do casamento. Jornal Brasileiro de Psiquiatria,
44, 2, 67-80.
FÉRES-CARNEIRO, T. (2001). Casamento Contemporâneo: Construção da Identidade
Conjugal. Em T. Féres-Carneiro (Ed.) Casal e Família - Entre a Tradição e a Transformação. P. 67-80. Rio de Janeiro, ed. NAU.
GIDDENS, A. (2001). Sociologia. Porto Alegre: Artmed.
GOLDENBERG, M. (2000). De Amélias a operárias: um ensaio sobre os
conflitos femininos no mercado de trabalho e nas relações conjugais.
Em Os novos desejos, org. por M. Goldenberg. P. 105-124. Ed. Record, R. J.
GREENSTEIN, T. N. (1996). Gender ideology and perceptions of the fairness of the
division of household labor: Effects on marital quality. Social Forces, 74, 1029-1042.
HENRIQUES, C., JABLONSKI, B. & FÉRES-CARNEIRO, T. (2004). “A Geração
canguru: Algumas questões sobre o prolongamento da convivência”. Revista PSICO, 35, 2, 195-205.
I.B.G.E (2000). Recenseamento Geral do Brasil. Rio de Janeiro.
I.B.G.E. (2005). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Rio
de Janeiro.
JABLONSKI. B. (1988). A crise do casamento contemporâneo: Um estudo psicossocial.
Tese de doutorado. FGV-Rio.
JABLONSKI, B. (1996). Aferição de Atitudes de Jovens Solteiros(as) Frente
à Crise do Casamento: uma Réplica, in Cadernos de Psicologia, Série
Social e Institucional, IP/UERJ, no 5, p. 5-21.
JABLONSKI, B. (1998). “Até que a Vida nos Separe: a Crise do Casamento
Contemporâneo”, 2a edição, revista e aumentada. Rio de Janeiro, ed.
Agir.
JABLONSKI, B. (1999). “Identidade Masculina e o Exercício da
Paternidade”. Em T. Féres-Carneiro (Ed.) Casal e Família - Entre a Tradição e a Transformação. P. 31-54. Rio de Janeiro, ed. NAU.
JABLONSKI, B. (2001). “Atitudes frente à Crise do Casamento”. In T. Féres-
Carneiro (Ed) Casamento e Família: do Social à Clínica. P. 81-95. Rio de Janeiro, ed. NAU.
JABLONSKI, B. (2003). Afinal, o que quer um casal? Algumas considerações sobre o
casamento e a separação na classe média carioca. Em T. Féres-Carneiro (org.), Família e Casal: arranjos e demandas contemporâneas, 141-168. Rio de Janeiro: EDPUC/Loyolla.
JABLONSKI, B. (2007). O cotidiano do casamento contemporâneo: a difícil e conflitiva
divisão de tarefas e responsabilidades entre homens e mulheres. Em Terezinha Féres-Carneiro, (org.) Família e casal: saúde, trabalho e modos de vicnulação, São Paulo: Casa do Psicólogo, 203-228.
JACOBS, J. W. & GERSON, K. (1998). Who are the overworked Americans? Review of
Social Economy, 4, 442-459.
JONES, E.E. & NISBET, R. E. (1972). The actor and the observer: divergent perceptions
of the causes of behavior. Em E. E. Jones e cols., Attribution: Perceiving the causes of behavior. Morritown, N.J.: Generla Learning Process
KLUVER, E. S., HEESINK, J. A. M. e VAN De VLIERT, E. (1996). Marital conflict
about the division of household labor and paid work. Journal of Marriage and the Family, 58, 958-969.
LAVEE, Y. & KATZ, R. (2002). Division of labor, perceived fairness, and marital quality:
The effect of gender ideology. Journal of Marriage and the Family, 64, 27-39.
LEVINE, R. (2003). The power of persuasion. N.J.: Wiley.
MACHADO, L. Z. (2001). Famílias e Individualismo: Tendências contemporâneas no
Brasil. Monografias em Antropologia, 291, D. F.: UnB.
MANNING, W. E.; LONGMORE, M. A. e GIORDANO, P. C. (2007). The Changing
Institution of Marriage: Adolescents’ Expectations to Cohabit and to Marry. Journal of Marriage and the Family, 69, 3, 559-575.
NELSON, M. K. (2006). Single mothers “do” family. Journal of Marriage and Family, 68,
4, 781-795.
OSMOND, M. W. e THORNE, B. (1993). Feminist theories: the social construction of
gender in families and society. Em P. G. Boss (ed.) Sourcebook of family theories and methods. N. Y.: Plenum Press.
PHILLIPS, R. (1991). Untying the Knot: A Short History of Divorce. Cambridge Univ.
Press.
PREUSS, M. R. G.(1999). Modelos de Família – Quando Dois é Bom e Um é Confuso.
Trabalho apresentado no XXVII Congresso Interamericano de Psicologia. Caracas, Venezuela, junho.
ROCHA-COUTINHO, M. L. (2003). Quando o executivo é uma “dama”: a mulher, a
carreira e as relações familiares. Em T. Féres-Carneiro (org.) Família e casal: arranjos e demandas contemporâneas. Rio de Janeiro: ed. PUC-Rio/Loyola.
ROCHA-COUTINHO, M. L. (2004). Variações sobre um antigo tema: a maternidade e a
paternidade para mulheres com uma carreira profissional bem sucedida. Trabalho apresentado na X Reunião da ANPEPP, Praia Formosa, E. Santo.
ROCHA-COUTINHO, M.L .(2005). O papel de homens e mulheres na família: podemos
falar em reestruturação? Psicologia Clínica, vol. 15, 2, p. 93-108.
ROCHA-COUTINHO, M. L. (2007). Família e emprego:conflitos e expectativas de
mulheres executivas e de mulheres com um trabalho. Em Em Terezinha Féres-Carneiro, (org.) Família e casal: saúde, trabalho e modos de vicnulação, São Paulo: Casa do Psicólogo, 203-228).
RODRIGUES, A., ASSMAR, E. e JABLONSKI, B. (2000). Psicologia Social. Petrópolis:
Vozes.
SHERIF-TRASK, B. (2003). Marriage from a Cross-Cultural Perspective. Family Focus,
sep., F13-F14.
SINGLY, F. (2003). Sociologia da Família Contemporânea, Rio: FGV.
SKOLNICK, A. (2006). The family and its future. Family Focus, dec., F3-F4.
TEACHMAN, J. e CROWDER, K. (2002). Multilevel models in family research: some
conceptual and methodological issues. Journal of Marriage and the Family, 64, 2, 280-294.
THISTLE, S. (2006). From marriage to the market – The transformation of women’s lives
and work. Univ. of California Press.
THORNTON, A. (1989). Changing Attitudes Toward Family Issues in the United States.
Journal of Marriage and the Family 51, 3, 873-893.
THORNTON, A. e YOUNG-DEMARCO, L. (2001). “Four Decades of Trends Toward
Family Issues in the United States: The 1960s through the 1990s. Journal of
Marriage and the Family, 63, 4, 1009-1037.
U. S. BUREAU OF THE CENSUS (1998). Marital status and living arrangements
(update). Current Population Reports, March, Series P20-514.
VAITSMAN, J. (1994). Flexíveis e plurais: identidade, casamento e família em
circunstâncias pós-modernas. Rio de Janeiro: Rocco.
WAGNER, A. (2003). Família em Cena: Tramas, dramas e transformações, Vozes:
Petrópolis.
WEINER, B. (1995). Judgments of responsibility. N.Y.: Guilford.
WOOD, L. (1998). Divorce Statistics. Publicação on-line.
Http://ddl.digital.net/~laurieg/culture/divorce.htm.
ZORDAN, E. P., WAGNER, A. & FALCKE, D. (2007). Casamento é coisa do
passado?Novas questões sobre a união amorosa entre os jovens. (No prelo)
Departamento de Psicologia PUC-Rio
CNPq / FAPERJ
|
 |